Manifestação em Coruripe defende a liberdade de cátedra, a educação e os serviços públicos
Ato diante da Prefeitura expôs o deputado Marx Beltrão, signatário da PEC da Reforma Administrativa

O dia nacional de luta contra a Reforma Administrativa, dia 29 de outubro, foi realizado de forma especial em Alagoas. Ao invés da presença na capital, a mobilização foi até a cidade de Coruripe (litoral sul de Alagoas) para se solidarizar com a professora do Ifal, Maria Oliveira, e denunciar a assinatura do deputado Marx Beltrão (PP) na Proposta de Emenda à Constituição nº 38, da destruição dos serviços públicos.
“Foi um grandioso dia de luta para nós servidoras e servidores do Ifal. Pudemos dialogar com a comunidade acadêmica e ir às ruas num só dia. Em Coruripe, dizemos em praça pública que fascista não se cria, vaiamos o vereador que atacou a professora e o vemos fugir da câmara. Também deixamos claro que iremos atrás de cada deputado que quiser privatizar os serviços públicos para denunciá-lo em seu reduto eleitoral”, afirmou Yuri Buarque, presidente do Sintietfal.
Além de docentes e TAEs do Ifal, a caravana à Coruripe contou com a participação do Sintufal, do Sinteal, da CUT, do Movimento Luta de Classes e do Movimento de Luta nos Bairros.
Solidariedade

A primeira parte da mobilização ocorreu dentro do Ifal campus Coruripe. No auditório, estudantes, servidoras e servidores ficaram de pé para aplaudir a docente de artes Maria Oliveira. O ato em defesa da liberdade de cátedra contou também com a presença da professora da rede estadual Vaniere Oliveira.
Tanto Maria quanto Vaniere foram vítimas da vilania de vereadores da extrema-direita, que para alimentar o ódio de sua base fanática, criaram narrativas para descredibilizar a educação. A docente de artes do Ifal, que foi acusada de exibir “filme obsceno para crianças”, apresentou ao microfone a reflexão crítica de que trata o filme “Em nome da Rosa” (Classificação indicativa 14 anos) e acrescentou:
“Minha trajetória, tanto pessoal quanto acadêmica, sempre foi pautada por princípios morais e éticos. Educar é o meu ofício, carrego minha profissão como estandarte apesar de algumas vezes mais parecer uma cruz. Para finalizar, sugiro que procure se informar antes de vociferar o ódio, a intolerância e a ignorância. Infelizmente, muitos não querem saber, preferem acreditar em suas próprias verdades construídas para benefício próprio”.
No caso da professora Vanieire Oliveira, o ataque foi de um vereador de Maceió por ela abordar questões de gênero e sexualidade, a partir de uma cartilha elaborada pelo Instituto Federal de São Paulo, dentro de sala de aula.

Diante do auditório atento, Vaniere disse que essas agressões são dirigidas principalmente contra as mulheres. “A gente não aceitar nenhuma mordaça, a gente não vai se calar, a gente não vai retroceder. O objetivo da educação é avançar, avançar enquanto sociedade, enquanto indivíduo, é garantir a manutenção dos direitos até aqui conquistados. E não normalizar aquilo que a extrema-direita quer. Lançam o medo, lançam o terror, porque o objetivo é manter a ignorância”, afirmou.
Em sua fala, a vice-presidenta do Sintiefal, Daniela Botti, demonstrou solidariedade à Maria, à Vaniere, como também ao Nugedis e a toda comunidade do Ifal. “Quando atacam uma de nós, atacam a todas e todos. Não é apenas ao Nugedis de Palmeira, mas é ao que nós fazemos enquanto servidoras e servidores no Ifal. Não é apenas contra Maria é contra quem faz educação”, completou.
As falas de apoio à educação e aos serviços públicos continuaram na praça central da cidade, em frente a Prefeitura e a Câmara de Vereadores. Carla Vitória, estudante da Ufal e ex-aluna do Ifal, demonstrou a importância de uma educação crítica na sua vida.

“Um vereador não pode chegar na câmara e falar de achismo, porque achismo não resolve nada dos problemas da cidade. Achismo ele pode falar na casa dele, com as pessoas do convívio dele. A gente precisa de verdades e a direita sempre trabalhou com fake news. Fake news não se sustenta, a educação abre portas”, defendeu a estudante.
Servidoras do Ifal, da Ufal e estudantes também fizeram uso do carro de som para denunciar o coronelismo na cidade governada há décadas pela família Beltrão e, ao mesmo tempo, explicar ao povo sobre os impactos negativos de uma reforma da previdência.


