Encontro de Mulheres do Sinasefe: Sintietfal reafirma compromisso com luta feminista

Sob o tema “Vivas, livres e plurais, do silêncio à voz: mulheres que educam, lutam e resistem”, o Sinasefe realizou com sucesso o seu 4º Encontro Nacional de Mulheres. O evento reuniu aproximadamente 500 pessoas de todas as regiões do pais, representando 57 seções sindicais.
O Sintietfal foi representado por 11 mulheres, sendo quatro docentes e sete TAEs: Manuela Kaspary (C. Marechal Deodoro); Thayse Janaína (C. Murici); Daniela Botti (C. Palmeira dos Índios); Anna Júlia Giurizatto (C. Murici); Ana Leal (C. Reitoria); Andrea Moraes (C. Maceió); Paulete Constantino (C. Reitoria); Ellen Carvalho (Ifal-MinC); Itajaci Machado (C. Maceió); Ellen Maianne (C. Arapiraca); e Regina Brasileiro (C. Maceió).
“O Encontro de Mulheres do Sinasefe contou com uma presença forte da base feminina do Sintietfal, em um encontro mais do que nunca necessário em tempos em que vemos uma agudização da misoginia, um aumento dos casos de feminicídio, inclusive dentro da própria Rede Federal, no caso das mortes de duas servidoras no final do ano passado. Nesse encontro nos acolhemos, realizamos trocas humanas e políticas e produzimos encaminhamentos”, disse Daniela Botti, vice-presidenta do Sintietfal.

Durante quatro dias ocorreram dezenas de palestras e debates acerca da luta feminista, antirracista, inclusiva e anticapitalista, tendo como eixos centrais: poder, interseccionalidade, adoecimento, cuidado, condições de trabalho e vida. Assim, o 4º ENMS representou um marco na história do Sinasefe e, ai mesmo tempo, um “chamado à ação coletiva e ao compromisso do Sinasefe em construir um sindicato classista, feminista, antirracista, anticapacitista, anticapitalista, anti-etarista e socialista”.
“O Encontro Nacional é sempre um marco para as mulheres do Sinasefe. Foram aproximadamente 500 mulheres reunidas em torno de pautas fundamentais que ampliam sua capacidade de atuação politica. Por isso, esse encontro tem sido muito importante para reconhecer nossa força política e contribuir principalmente com a nossa luta contra o assédio institucional, que hoje se apresenta como um problema tão forte na vida das mulheres”, afirmou Thayse Janaína, assistente social e diretora do Sintietfal.
Adoecimento e assédio
As mulheres, que são as principais vítimas dos assédios, encontraram nesse Encontro mais coragem e consciência para fortalecer a luta dentro das instituições. “É evidente que reconhecemos que homens também sofrem assédio, mas nesse encontro ficou nítido como as mulheres sofrem todos os tipos de assédio, cotidianamente e sistematicamente. E mais ainda, o quanto é comum termos nossas vivências desacreditadas, principalmente pelos homens, que geralmente são os que mais praticam assédios. Infelizmente, inclusive, mesmo homens que sofrem assédios, cometem assédio contra a mulher. Por isso, entendemos o quanto é tão importante tratar esse tema a partir do recorte de gênero”, completou Janaína.
No documento intitulado de “Carta do 4º Encontro Nacional de Mulheres do Sinasefe”, essa luta foi conectada às suas raízes: “As discussões deste Encontro evidenciam que nosso adoecimento, enquanto mulheres trabalhadoras da Educação Federal não é individual, mas resultado da crise do capital, do aumento da misoginia e de políticas institucionais que naturalizam a sobrecarga, o assédio e a invisibilização do trabalho reprodutivo”.
“A luta das mulheres é parte da luta de classes”
Na Carta construída coletivamente e aprovada ao final do Encontro, foi evidenciado o contexto “de intensificação da precarização do trabalho, da misoginia, de assédio e violência como forma sistemática de gestão, do avanço de políticas neoliberais, da permanência de diversas opressões, como o racismo estrutural, o capacitismo, a LBTQIAPN+fobia, o etarismo e do fortalecimento da extrema direita na conjuntura política”.
E diante disso, apresentado “que a luta das mulheres não é uma pauta setorial ou meramente identitária, mas parte estruturante da luta de classes e da defesa do serviço público. A luta das mulheres não é uma pauta setorial ou meramente identitária, mas parte estruturante da luta de classes e da defesa do serviço público”.
A luta pela transformação das estruturas de poder – que historicamente excluíram mulheres, especialmente mulheres negras, indígenas, quilombolas, LBTQIAPN+ e com deficiência – teve espaço central nos debates.
Maternar
“O cuidado não é uma responsabilidade individual, mas uma questão política, coletiva e institucional. A sobrecarga das mulheres, marcada pela dupla e tripla jornada, limita sua participação política e sua permanência no trabalho e na formação”, afirma a carta do 4º ENMS.
De forma simultânea ao Encontro, o Sinasefinho contou com de 70 crianças e adolescentes, filhas e filhos das sindicalizadas de todo o Brasil. De Alagoas, cinco crianças também acompanharam suas mães nesse espaço de formação.
“Essa política sindical tem proporcionando o cuidado e a educação política de filhos e filhas menores das sindicalizadas. Além de oferecer um intercâmbio cultural entre crianças e adolescentes de distintas regiões do país. Essa ação implementa na prática a inclusão de mulheres em discussões importantes que têm potencial de modificação da realidade. O Sinasefinho é mais uma grande conquista da luta feminista e sindical para maiores espaços de visibilidade as suas demandas”, afirmou a professora Manuela Kaspary, diretora do Sintietfal.
Plenária Virtual
Com cerca de 90 propostas elaboradas durante o Encontro, uma plenária virtual ficou marcada para quarta-feira (15/04), às 18h, via Zoom, com objetivo de finalizar o debate e a aprovação dos encaminhamentos.
“O trabalho não acabou, teremos essa semana um encontro virtual para apresentar, discutir e aprovar os encaminhamentos que foram produzidos durante o encontro. Saímos com a certeza de que o capitalismo, que se sustenta na exploração do trabalhador e da trabalhadora, faz do trabalho reprodutivo, da chamada dupla e tripla jornada da mulher, uma estrutura de sustentação. As diversas violências contra a mulher sustentam práticas que mantém essa exploração. E é somente unidas que nos manteremos vivas, livres e plurais”, concluiu Daniela Botti, vice-presidenta do Sintietfal.











