Em encontro nacional, Sintietfal defende orçamento e compromisso com Nugedis no Ifal
A delegação do Sintietfal participou ativamente dos debates sobre a atuação sindical na defesa dos direitos LGBTQIAPN+ na Rede Federal de Educação, durante o 1º Encontro da Diversidade Sexual e de Gênero do Sinasefe, realizado de 18 a 22 de junho de 2025, em São Paulo. O encontro destacou as experiências dos Núcleos de Gênero, Diversidade e Sexualidade (Nugedis) em rede nacional e revelou os desafios enfrentados por diversos Institutos Federais na institucionalização desses núcleos, muitas vezes impedida por entraves administrativos impostos por gestores.
Entre as estratégias apontadas para enfrentar essas dificuldades, o letramento de gênero foi citado como ação fundamental no combate à LGBTQIAPN+fobia, assim como o envolvimento das famílias nas atividades promovidas pelos núcleos, como forma de fortalecer a inclusão. Um dos pontos ressaltados pelos participantes do encontro foi a relevância do I Encontro de Mulheres do Sinasefe, realizado em 2018, considerado um marco para a consolidação das pautas de gênero e sexualidade no sindicato nacional.
Durante sua fala no debate, o professor Otávio Monteiro, representando o Sintietfal e o Nugedis Maceió, ressaltou a importância de uma representatividade genuína de gênero e sexualidade na composição dos núcleos.
“Precisamos garantir que essa representatividade não seja usada politicamente de forma indevida. É preciso compromisso real com a pauta”, destacou. Ele também reforçou a importância da disputa orçamentária dentro do Ifal: “Em Maceió, a gestão pediu para que os núcleos abrissem mão de seus recursos. O Nugedis não abriu mão e não deverá abrir. Precisamos dos recursos para realizar nossas atividades e manter o núcleo fortalecido”, completou.
Ampliação dos debates sindicais sobre gênero e diversidade
Outro ponto central do encontro foi a defesa da presença dos debates de gênero e sexualidade nos currículos da Educação Profissional e Tecnológica. Os Projetos Pedagógicos de Curso (PPCs) foram identificados como espaços de poder, que podem ser estratégicos para a formação acadêmica e cidadã crítica.
As discussões também evidenciaram um sentimento de sobrecarga de trabalho entre os servidores que atuam simultaneamente em ações dos três núcleos inclusivos — Neabi, Napne e Nugedis — sem o devido reconhecimento ou suporte institucional. Diante desse cenário, frisou-se a necessidade de maior articulação entre os núcleos e os sindicatos, com vistas à construção de uma organização sindical que dialogue diretamente com essas frentes de atuação, promovendo integração e fortalecendo as lutas por equidade dentro da Rede Federal.
O I Encontro da Diversidade Sexual e de Gênero do Sinasefe reafirmou o compromisso com uma Educação pública, gratuita, inclusiva e democrática, assim como pela valorização das existências de corpos dissidentes que lutam por uma Educação classista, antirracista, anticapacista e antissexista. Também evidenciou a urgência de consolidar políticas como as cotas trans e o pleno respeito ao uso do nome social e ao acesso a banheiros conforme a identidade de gênero — um desafio persistente nas instituições de ensino, apesar da existência do Decreto nº 8.727/2016.
Durante a mesa de abertura, as professoras Sarah York (UERJ) e Letícia Nascimento (UFPI) abordaram a importância de uma perspectiva interseccional, apontando para os desafios enfrentados por mulheres pretas, trans e travestis na ocupação dos espaços institucionais de ensino. A sindicalista Geovana Borges (UFPE) pontuou que a pauta trans deve ser compreendida como uma questão social, e que precisa ocupar um lugar de destaque na agenda pública. Ela denunciou as múltiplas formas de violência enfrentadas por pessoas trans, inclusive dentro do sistema educacional, muitas vezes perpetradas por agentes que deveriam garantir proteção e acolhimento.
O contexto internacional também esteve em pauta, especialmente os reflexos das políticas antitrans implementadas pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos, que ainda reverberam negativamente nas políticas educacionais e científicas em diversas partes do mundo. A presença do deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP) reforçou a importância de uma luta sindical combativa e comprometida com a construção de uma Educação para todas, todos e todes.




