8 de janeiro de 2025

Dois anos do 8 de janeiro: a fragilidade da democracia e o papel das elites na disseminação da desinformação

Hoje, 8 de janeiro de 2025, completam-se dois anos da tentativa de golpe promovida por setores da extrema-direita bolsonarista no Brasil. No dia 8 de janeiro de 2023, milhares de manifestantes, incitados por discursos golpistas, invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes: o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), em um ataque frontal à democracia brasileira. Dois anos depois, o que podemos extrair dessa trágica data e o que ela ainda nos ensina?

Apesar de vivermos em um regime democrático, a tentativa de golpe de 8 de janeiro revelou o quão frágil ainda é nossa democracia. A presença de militares em cargos de comando, a articulação entre altos escalões do Legislativo, do empresariado nacional e internacional, e até mesmo a mídia, revela um pano de fundo de atores poderosos que acreditam, ou querem acreditar, que podem manipular e controlar as instituições brasileiras em benefício de seus próprios interesses. No caso específico de 2023, esses setores, que antes estavam alinhados ao governo de Jair Bolsonaro, mostraram a disposição de atacar quando perceberam que seu poder estava sendo ameaçado.

Em outras palavras, é possível perceber que a tentativa de golpe não foi um evento isolado, mas parte de uma mentalidade que ainda percorre as elites brasileiras: a ideia de que a democracia pode ser moldada conforme a conveniência do momento, e que a vontade de uma parcela da população, mesmo que expressa nas urnas, não é suficiente para garantir a estabilidade democrática.

Coincidentemente, ou não, Mark Zuckerberg, bilionário e dono da Meta (Facebook, WhatsApp e Instagram), fez uma declaração de apoio ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esta semana e anunciou que suas plataformas não verificarão mais as informações postadas pelos usuários. Vale lembrar que, naquela data do ataque de 8 de janeiro, as redes sociais desempenharam um papel crucial na organização e mobilização dos/as invasores/as que atacaram os prédios dos três poderes no Brasil.

A declaração de Zuckerberg surge em um momento em que o governo brasileiro e a sociedade civil buscam formas de regular a disseminação de desinformação, principalmente nas redes sociais, que foram fundamentais na articulação de atos violentos e antidemocráticos. Ignorar o impacto que as fake news podem causar, especialmente em contextos políticos delicados, parece ser uma afronta a esses esforços.

Zuckerberg, ao tomar essa postura, reforça o discurso de que os interesses financeiros das grandes corporações de tecnologia estão acima da responsabilidade social e do bem-estar coletivo. Como outros membros da elite bilionária, ele continua a agir em defesa de seus próprios privilégios, deixando de lado o papel crucial que as plataformas digitais podem desempenhar para preservar a integridade das democracias.

Sua decisão de liberar a disseminação de informações não verificadas pode ser vista como uma tentativa de manter o controle sobre um império multimilionário, mesmo que isso signifique permitir a proliferação de mentiras e a incitação à violência. Ao invés de colaborar para a construção de um ambiente digital mais seguro e transparente, Zuckerberg se coloca ao lado daqueles que se aproveitam da fragilidade das instituições para expandir ainda mais seus lucros e privilégios.

Dois anos após a tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, a lição é clara: nossa democracia ainda é frágil, mas continua viva. A resistência é essencial e a luta por um país mais justo e igualitário deve seguir firme, para que nunca mais o Brasil se veja à mercê de setores autoritários que desejam destruir as conquistas democráticas em nome do poder e do controle. A democracia brasileira precisa ser defendida não apenas das ameaças externas, mas também das falhas internas que ainda a tornam vulnerável.

8 de janeiro de 2025

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