8 de novembro de 2024

Campus Satuba luta contra impactos da duplicação da BR-316 para o Ifal e para o meio ambiente

Documento formulado por servidores/as sugere ao Dnit duas opções alternativas

Servidores/as e estudantes estão preocupados com os impactos que a duplicação da BR-316 pode trazer ao Ifal campus Satuba. Em estudo formulado por uma comissão de servidores/as, foi alertado que “a duplicação da BR 316, no traçado atualmente proposto, compromete diretamente a continuidade e a qualidade das atividades pedagógicas no IFAL – Campus Satuba” .

“A manutenção da área de várzea e das instalações educativas e produtivas do campus é fundamental para garantir a continuidade de um ensino de qualidade, bem como o desenvolvimento de pesquisas práticas, essenciais para a formação de técnicos e profissionais na área agrícola. Preservar essas áreas é também preservar o papel histórico e educativo que a instituição desempenha há mais de um século, contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico e social da região”, afirma o relatório.

+++ Confira o relatório na íntegra

Além do impacto nas instalações do campus centenário, como sala de aulas e em laboratórios vivos de fruticultura, apicultura e bovinocultura, o documento aponta outros prejuízos acadêmicos que podem ser gerados com “o barulho contínuo do tráfego intenso de veículos, especialmente de caminhões e ônibus, que utilizarão a rodovia duplicada” próximo às salas de aulas e a criação de barreiras físicas que afetam o deslocamento interno da comunidade acadêmica, da segurança patrimonial e o acesso às instalações para atividades acadêmicas e práticas.

“Com a duplicação da BR 316, uma das preocupações mais urgentes que enfrentaremos é o aumento da vulnerabilidade do campus à invasão de animais de propriedades vizinhas. A obra criará uma nova dinâmica territorial, e, sem barreiras físicas adequadas, será mais difícil controlar o acesso de animais que possam cruzar para as áreas do campus. Isso representa um risco direto à saúde dos animais que fazem parte de nossos projetos de ensino e pesquisa, especialmente em relação ao controle de doenças”, prossegue o relatório.

Meio Ambiente

Outro ponto importante apontado são os impactos ao meio ambiente: risco de contaminação dos recursos hídricos; interrupção do riacho que atravessa o campus; o comprometimento de áreas de pasto; perturbação dos ciclos naturais de reprodução e alimentação da fauna local; e “grandes remoções de vegetação, resultando no desmatamento de áreas verdes essenciais, comprometendo a biodiversidade local, os ecossistemas e as áreas agricultáveis”.

“A área de fazenda da instituição é um habitat para diversas espécies de animais, tanto domésticos como silvestres. A presença de uma rodovia de grande fluxo próximo a essas áreas aumentará o risco de atropelamentos de animais que circulam pela fazenda, além de perturbar os ciclos naturais de reprodução e alimentação da fauna local. O aumento do barulho e do movimento de veículos pode afetar negativamente o comportamento dos animais criados na escola, como bovinos, suínos, equídeos e outros animais utilizados para práticas agrícolas”.

Reuniões

Em luta contra a passagem da duplicação da BR-316 dentro do campus, a direção do campus Satuba, acompanhada com a reitoria do Ifal, entregou ao Ministro dos Transportes, Renan Filho, e ao Superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), André França, o documento elaborado pelos/as servidores/as propondo a “reconsideração imediata do traçado da duplicação, propondo que ele seja deslocado para os limites da área do campus”. De forma alternativa, também foi proposto um novo trajeto passando próximo à Nova Satuba.

“A entrega do relatório de impacto ao DNIT e ao Ministro dos Transportes representa um passo fundamental na defesa do nosso campus e das práticas educacionais e sustentáveis que desenvolvemos. A duplicação da BR-316, embora traga benefícios significativos para a infraestrutura rodoviária, impõe desafios críticos ao nosso espaço acadêmico”, afirmou a diretora-geral do campus Satuba, Uilliane Faustino. Segundo ela, a expectativa é que a alteração de traçado sugerida seja aceita.

“Apelamos ao DNIT para que considere as propostas alternativas apresentadas, que buscam conciliar o avanço da infraestrutura viária com a preservação da história, da identidade e da função social do campus. Adotar um traçado que respeite a integridade das áreas de ensino, pesquisa e produção do IFAL representa um compromisso com o desenvolvimento sustentável e o respeito pela contribuição histórica e contínua do campus Satuba para Alagoas”, conclui o documento.

8 de novembro de 2024

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