22 de agosto de 2024

R$ 20 milhões: Ifal lança nota detalhando bloqueio orçamentário

Colégio de Dirigentes publicou comunicado afirmando que situação “exigirá um replanejamento cuidadoso” do orçamento disponível

Foto: Reprodução/Google Maps

O Ifal divulgou uma nota, nesta quarta-feira, dia 21, redigida pelo Colégio de Dirigentes, explicitando os impactos do corte orçamentário imposto pelo governo.

Segundo o texto, o Ifal teve R$ 20,2 milhões contingenciados, atingindo diretamente as  verbas relacionadas ao funcionamento do Instituto Federal de Alagoas e à assistência estudantil.

“Essa limitação de empenho e o bloqueio, impactam diretamente e podem vir a prejudicar e limitar as atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão do Ifal, a manutenção dos contratos, os investimentos planejados, o custeio de despesas essenciais (energia elétrica, limpeza, segurança), a execução de projetos, e principalmente, a execução de políticas estudantis”, afirma o comunicado dos/as gestores/as do Ifal.

Ainda de acordo com a nota, há a perspectiva de liberações parciais, em outubro e em dezembro. Porém, o Governo Federal, através do Ministério da Fazenda e do Ministério do Planejamento, não deu garantia alguma, até o momento, de descontingenciamento do orçamento. “Até lá, o Ifal terá que administrar a execução de suas despesas, tendo que recorrer a anulações de empenhos já emitidos para dar conta dos compromissos institucionais”, prosseguiu o documento.

Contingenciamento

O corte foi determinado pelo Decreto 12.120/2024, publicado em 30 de julho, e definiu que R$ 15 bilhões do orçamento da União deveriam ser contingenciados. Na educação, o bloqueio foi de R$ 1,3 bilhão. A medida ocorre por consequência do arcabouço fiscal – o novo teto de gastos idealizado pelo Governo Lula – e impacta o custeio de diversas áreas além da educação, pois, principalmente, os ministérios da saúde, cidades e transportes também foram bastante atingidos.

Durante a Greve da Educação de 2024, uma das reivindicações da categoria foi a recomposição orçamentária para garantir o pleno funcionamento dos institutos e das universidades federais. Em maio e junho, como conquista do movimento paredista, a Rede Federal de Educação conseguiu um suplemento orçamentário de R$ 747 milhões. No entanto, o contingenciamento realizado pelo governo atinge o dobro desse valor.

“Não podemos concordar que o governo priorize o arcabouço fiscal em detrimento da valorização da educação. É descumprir o acordo de greve e desrespeitar nossas conquistas. Temos que continuar em luta”, afirmou Yuri Buarque, presidente do Sintietfal.

Tentativa de diálogo

O Colégio de Dirigentes afirmou que o Ifal comunicou os impactos do bloqueio orçamentário para parlamentares e espera que uma ponte de diálogo com o governo seja criada, tendo como horizonte uma “reavaliação do contingenciamento”.

Confira a nota do Colégio de Dirigentes do Ifal na íntegra:

“O Colégio de Dirigentes do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) vem a público manifestar preocupação com os efeitos do anúncio da contenção no orçamento do Ifal nas despesas de custeio e investimento, além de bloqueio na execução das emendas parlamentares, realizados pelo Governo Federal em 5 de agosto.

O Decreto nº 12.120, de 30 de julho de 2024, definiu uma reprogramação para a execução das despesas discricionárias do governo federal, com o objetivo de cumprir o limite de gastos definido pela Lei Complementar nº 200, de 30 de agosto de 2023 (Novo Arcabouço Fiscal), bem como o art. 9º da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal).

A Junta de Execução Orçamentária (JEO), responsável pelo acompanhamento das receitas e despesas do governo federal, após analisar o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, definiu o valor do bloqueio de cada ministério. No caso do Ministério da Educação, o bloqueio foi de 20,6% da dotação atual de RP 2 (Despesas Primárias Discricionárias), acarretando na necessidade de reprogramação dos empenhos, devendo as universidades e institutos federais retornar os limites de empenho para o MEC no percentual de 18%.

No Ifal, o impacto foi ainda maior, levando em consideração que houve, também, o bloqueio integral de uma Emenda Parlamentar no montante de R$ 7,5 milhões identificada com RP 2.

Ao todo, o contingenciamento no âmbito do Ifal foi no montante de R$ 20,2 milhões, nas despesas de funcionamento, investimento e assistência estudantil, e exigirá um replanejamento cuidadoso e colaborativo para garantir que as atividades essenciais continuem a ser realizadas, apesar das restrições.

Há previsão de liberação escalonada dos limites de empenho contingenciados em dois períodos: em outubro e dezembro. Até lá, o Ifal terá que administrar a execução de suas despesas, tendo que recorrer a anulações de empenhos já emitidos para dar conta dos compromissos institucionais.

Essa limitação de empenho e o bloqueio, impactam diretamente e podem vir a prejudicar e limitar as atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão do Ifal, a manutenção dos contratos, os investimentos planejados, o custeio de despesas essenciais (energia elétrica, limpeza, segurança), a execução de projetos, e principalmente, a execução de políticas estudantis.

A situação está sendo acompanhada de perto pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) e o Ifal já comunicou aos parlamentares que defendem a Educação Pública desse contingenciamento para que atuem junto ao Ministério da Educação no diálogo com o Governo Federal que possa resultar em uma reavaliação do contingenciamento.

Sendo assim, pedimos a compreensão da comunidade acadêmica e informamos que enquanto perdurar essa limitação de empenho e bloqueio de recursos, as ações de ensino, pesquisa, extensão e outras atividades podem ser comprometidas.

Nossa expectativa é que o orçamento seja mantido e os limites de empenho sejam liberados para que o Ifal possa continuar cumprindo com seus compromissos administrativos e sua missão institucional.”

22 de agosto de 2024

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