Servidores/as aposentados/as se queixam da sensação de exclusão por falta de vínculos com o Ifal
Professor aposentado reclamou recentemente por não poder pegar livro emprestado na Biblioteca
Nas últimas semanas, vários depoimentos de servidores/as aposentados/as se sentindo afastados/as e excluídos/as do Instituto Federal de Alagoas foram publicados no perfil do Coletivo de Aposentados e Pensionistas do Ifal – Capi. As queixas são em torno das consequências da transferência de aposentadorias e pensões para o INSS, mas algumas também estão relacionadas a outros aspectos.
Recentemente, o docente aposentado do Ifal, Ailton Luiz, relatou que foi impedido de pegar um livro na Biblioteca por não ter vínculo com a instituição. O caso aconteceu em julho, quando o docente foi à Biblioteca do campus Maceió para solicitar um livro que ele e sua neta queriam ler. A situação causou uma enorme indignação, perceptível nos comentários da publicação.
“Aposentados/as e pensionistas do Ifal não valem mais nada. Fui aluno do Ifal, quando se chamava Escola Técnica, e fui professor de matemática por 31 anos. Hoje me sinto excluído”, relatou Ailton Luiz, no vídeo publicado no perfil do Capi.
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Com o Decreto 10.620/21, o regime de aposentadoria dos/as servidores/as foi transferido para o INSS, resultando em vários problemas enfrentados cotidianamente pelos/as aposentados/as e pensionistas. Situações como esta do professor Ailton Luiz, mesmo não estando ligadas diretamente ao Decreto 10.620/21, causam uma sensação ainda maior de exclusão nas pessoas que dedicaram diversos anos de suas vidas trabalhando pela instituição.
Como forma de demonstrar os problemas enfrentados por aposentados/as e pensionistas e pontuar a necessidade de maior participação nas esferas de diálogo e decisão da instituição, há pouco mais de um mês, Ângela Baraldi, professora aposentada do Ifal e integrante do Capi, em entrevista à Rádio Jovem Pan, afirmou que os/as servidores/as aposentados/as não querem apenas manter o vínculo, “mas também participar ativamente da gestão do Ifal”. Algumas das reivindicações dos/as aposentados/as do Ifal são, por exemplo, ter assento no Conselho Superior (Consup) e direito ao voto na eleição para Reitor/a.
Por que aposentadorias e pensões do Ifal foram para o INSS?
O Decreto 10.620/21, assinado em 2021 pelo Governo Bolsonaro, determinou que o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos/as servidores/as públicos/as passasse a ser gerido pelo INSS. A medida, imediatamente, foi considerada um ataque ao serviço público e, particularmente, aos direitos dos/as aposentados/as e pensionistas.
+++Entenda porque o Decreto 10.620/21 é um ataque às aposentadorias e pensões
No âmbito da Rede Federal de Educação, apenas duas instituições acataram o Decreto, sendo uma delas o Instituto Federal de Alagoas. As aposentadorias e pensões, antes vinculadas ao Ifal, passaram a ser geridas pelo INSS em fevereiro de 2022.
Desde então, o Sintietfal está na luta contra esse retrocesso e tem o retorno das aposentadorias e pensões para o Instituto Federal de Alagoas como uma das pautas prioritárias de mobilização, tendo sido, inclusive, uma das reivindicações da Greve da Educação deste ano e tema do primeiro ato de rua convocado pelo movimento paredista no Ifal.



