Assembleia Geral do Sintietfal define encerramento da greve e retomada das atividades laborais neste dia 1º de julho
Após quase 90 dias em greve, a categoria considerou os avanços conquistados na greve 2024 e deliberou a suspensão do movimento paredista, com o retorno às atividades laborais para esta segunda-feira, 1 de julho. As aulas, porém, serão retomadas apenas a partir do dia seguinte, dia 2 de julho, a depender do calendário de cada campus.
A decisão foi tomada na última Assembleia Geral Extraordinária, que aconteceu na sexta-feira, dia 28 de junho, de maneira híbrida. De acordo com a deliberação, o primeiro dia de retorno ao trabalho deve ser dedicado ao acolhimento da comunidade acadêmica e debate democrático sobre calendário e reposição da greve.
“Iremos voltar ao trabalho de cabeça erguida para dialogar com estudantes e toda a sociedade sobre a importância da grandiosa greve que fizemos, das conquistas que alcançamos e, principalmente, da demonstração que só existiram avanços porque houve greve”, disse Yuri Buarque, presidente do Sintietfal.
Antes da deliberação sobre o retorno, os/as servidores/as fizeram um balanço da greve e reconheceram que a luta do movimento paredista resultou em conquistas importantes, ainda que nem todas as demandas da categoria tenham sido contempladas.
Dentre as conquistas para a educação, está a recomposição de R$ 120,7 milhões para os Institutos e de R$ 279 milhões para as universidades; a aprovação da Lei da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES); e R$ 3,9 bilhões até 2026 em investimentos para os institutos e R$ 5,5 bilhões em investimentos para universidades e hospitais universitários.
Já para os/as TAEs, as conquistas envolver a reestruturação da carreira e reajuste salarial de 9% em janeiro de 2025 e 5% em abril de 2026; Implantação do RSC; Jornada de trabalho de 6 horas ininterruptas (30 horas semanais) sem redução da remuneração; reabertura de concursos de Intérpretes de LIBRAS (Nível E); Reposicionamento dos aposentados.
+++ Baixe o acordo de Greve: TAE e Docente
Quanto para docentes, o acordo prevê a Revogação da Portaria n° 983/2020; Reestruturação da carreira com valorização do piso; reajuste salarial de 9% em janeiro de 2026 e 3,5% em abril de 2026; liberação do controle de frequência aos docentes EBTT; fim dos recursos judiciais os contra os processos de concessão do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) de aposentados/as; reenquadramento de aposentados, entrada lateral, e insalubridade (revogação da IN 15).
Para a secretária geral do Sintietfal, Anny Barros, “enquanto docente, a revogação da Portaria 983/2020 foi a grande vitória dessa greve. A recomposição orçamentária, por menor que tenha sido, precisa ser enaltecida enquanto uma grande vitória. O RSC para os/as TAEs também é outra conquista dessa greve”, avaliou a dirigente sindical.
A docente do campus Penedo, Gisele Oliveira, enfatizou a conquista política da greve unificar a categoria e elevar a nível de consciência na luta por direitos. “A greve foi positiva principalmente do ponto de vista político. Afinal, pudemos perceber o quanto foi e é central a união de todos servidores/as da educação na luta por melhorias no Instituto, nas condições de trabalho e na luta por reajuste salarial. Essa greve deixou como legado a desconstrução da segmentação e hierarquização entre TAEs e docentes. Outro ponto extremamente positivo dessa greve foi a revalorização do nosso sindicato, a valorização do trabalho dos nossos diretores sindicais e do comando de greve, rompendo com as visões passivas e despolitizadas. A educação e o nosso trabalho tem muito mais a ganhar com a união e com a atuação política. O trabalho futuro que nós e o sindicato devemos fazer é promover cursos de formação e atualização política para todos/as os/as sindicalizados, este será um importante trabalho pós-greve”, avaliou a Gisele.
Como resultado do fortalecimento do sindicato durante a greve, o número de sindicalizados/as cresceu, obtendo 85 novos/as filiados/as ao Sintietfal em 2024, e ultrapassando as 1000 filiações.
O Comando Nacional de Greve do Sinasefe, em seu último boletim (Nº 12), fez um balanço da greve e convocou a categoria a manter-se na luta, atenta para cobrar as conquistas do movimento. “nossa luta não termina aqui. É preciso que sigamos mobilizados para garantir que se cumpram os termos acordados e que a educação seja realmente valorizada. Precisamos seguir atentos e a suspensão da greve não significa o fim de nossa mobilização, mas apenas o encerramento de um capítulo de uma história que ainda terá muitos momentos decisivos. A luta contra a precarização e a desvalorização da Educação e dos trabalhadores devem estar na ordem do dia de todas as trabalhadoras e de todos os trabalhadores”, destacou o CNG-SINASEFE na publicação”.




