Reunião debate movimento grevista com mães, pais e responsáveis
Sintietfal organizou encontro para dialogar sobre atualizações da greve e a importância da luta em defesa dos Institutos Federais
Tendo como objetivo apresentar um panorama da greve, bem como suas reivindicações em defesa da educação pública e de qualidade, o comando de greve do Sintietfal realizou uma grande reunião aberta com a participação de mães, pais, responsáveis e estudantes do Ifal, na noite desta quarta-feira, dia 5, via Google Meet.
Centenas de membros da comunidade acadêmica lotaram a sala virtual, que era limitada a 500 pessoas simultâneas. Ao longo da audiência, com as saídas de alguns/algumas presentes, mais gente pôde entrar e participar da reunião.
Com mais de três horas de duração, a atividade contou com três momentos. No início, integrantes do comando de greve contextualizaram a situação orçamentária do Ifal e de funcionamento do Instituto. Em seguida, dezenas de mães, pais, responsáveis e estudantes puderam expor suas dúvidas e opiniões. Por fim, os questionamentos levantados foram respondidos pelo presidente e pela secretária do Sintietfal, Yuri Buarque e Anny Barros.
Participação
Camila Melca, mãe de estudante do campus Marechal Deodoro, declarou apoio às reivindicações por entender que a luta defende melhorias para a formação dos/as estudantes, ainda que, assim como todos/as, queira que a greve acabe o mais rápido possível para que seu filho volte à rotina diária de estudos.
“É importante as pessoas entenderem a necessidade da greve. Eu apoio 100% a greve porque eu quero que o meu filho e os/as filhos/as de todo mundo aqui tenham o melhor ensino possível, os/as melhores professores/as, os melhores equipamentos. Eu acho que isso depende de uma greve porque essa é a maneira constitucional que os/as funcionários/as públicos têm de pleitear e exigir melhorias para seu trabalho e para a população”, declarou Camila.
O estudante do campus Benedito Bentes, presidente do Grêmio Estudantil Manoel Lisboa (GEML) e secretário-geral do Colegiado de Grêmios do Ifal (CGIfal), Micael Igor, falou sobre como a permanência dos/as discentes é prejudicada com a diminuição do orçamento para a educação.
“O valor do auxílio-permanência está abaixo do que a gente precisa. Por exemplo, muitos/as estudantes dos campi do interior precisam pagar transporte e acaba sendo uma despesa muito grande para eles/as. O auxílio-permanência também serve para isso. No meu campus, ano passado, eram 150 vagas para assistência estudantil. Hoje, as vagas são praticamente metade. Se 150 vagas já não eram suficientes, imagina agora com uma quantidade menor?”, questionou Igor.
“Não tem como manter um campus em pleno funcionamento, desde os menores, como Rio Largo e Benedito Bentes, aos maiores, como Satuba e Maceió, com os cortes nas verbas que reduzem o orçamento anual. Para a greve acabar logo, a gente tem que ir à luta, todo mundo junto”, enfatizou o líder estudantil.
Dúvidas da comunidade
Questionamentos como uma possível data para o fim do movimento paredista ou a maneira que poderiam ajudar para a greve acabar surgiram por parte de mães, pais e responsáveis.
“Na próxima semana, teremos duas reuniões com o governo que podem ser determinantes para a greve. No dia 11, os/as técnicos-administrativos/as vão levar a contraproposta formulada à mesa. Já no dia 14, são os/as docentes que se reúnem para negociar. Após essas datas, faremos nossa Assembleia para analisar o resultado das negociações e o andamento da greve”, afirmou o presidente do Sintietfal.
Buarque enfatizou aos/às presentes que a greve só foi deflagrada após meses de tentativas de diálogo, que não resultaram em acordo, com o governo.
“Desde meados de 2023, estávamos tentando negociar com o governo acerca da recomposição orçamentária e salarial, da reestruturação das carreiras e da revogação de medidas prejudiciais à educação pública. Depois de mais de oito meses nesse impasse, sem sucesso, a categoria decidiu entrar em greve”, explicou.
“A forma mais efetiva de ajudar a greve a encerrar o mais rápido possível é se somar à nossa luta. Quanto mais gente, mais forte é a mobilização e a pressão ao governo”, concluiu Buarque.



