Forte mobilização contra PL do estupro em Maceió reúne sociedade civil
Sintietfal esteve presente na manifestação em defesa dos direitos de mulheres, meninas e pessoas que gestam
O ato unificado contra o PL do estupro reuniu dezenas de sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais na manhã desta terça-feira, dia 18, em frente à Câmara Municipal de Maceió, no Jaraguá.
O Projeto de Lei 1904/24, proposto pelo deputado bolsonarista Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), equipara a realização do aborto nos casos previstos por lei ao homicídio. Sendo assim, essa nefasta proposta pode fazer com que, por exemplo, vítimas de estupro tenham pena maior do que a de estupradores.
Em vídeo gravado durante a manifestação, Elaine Lima, vice-presidenta do Sintietfal, denunciou o ataque reacionário contra as mulheres, meninas e pessoas que gestam.
“Esse PL não protege as mulheres, não protege as crianças, pelo contrário, significa a destruição dos seus corpos, significa a falta de compromisso com a cidadania e com a sociedade”, enfatizou Elaine.
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“O Sintietfal está aqui presente no ato contra esse PL, que é um projeto que precariza ainda mais a condição das mulheres, que coloca as mulheres que foram estupradas como responsáveis pela violência que sofreram, podendo pegar 20 anos de prisão”, afirmou Anna Júlia Giurizatto, diretora de formação política e sindical do Sintietfal.
A manifestação não esqueceu do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), responsável por pautar o projeto em regime de urgência. Gritos e cartazes com “Fora Lira” estavam presentes em todas as falas durante o ato.
“Não vamos aceitar que esse congresso machista e fascista use os nossos corpos, afetem os nossos direitos para fazer sua política baixa e pequena. Quem defende estuprador é o Arthur Lira. Não vamos aceitar e não vamos recuar. As mulheres unidas vão colocar esses fascistas nos seus lugares”, declarou Fabiana Menezes, docente do Ifal.
Para a estudante de ciências sociais da Ufal e coordenadora-geral da Organização Dandara dos Palmares, Beatriz Maciel, o intuito do projeto é violar os corpos, a existência e os direitos de pessoas já vulnerabilizadas na sociedade.
“A aprovação desse projeto seria o aprofundamento de uma violência direcionada, impediria meninas e mulheres pobres de acessar serviços seguros de saúde pública. A possibilidade de uma mulher estuprada ser condenada a uma pena maior do que aquela que será aplicada ao estuprador deixa uma mensagem nítida: o reforço de uma hierarquia entre os corpos e entre o que se reconhece ou não como violência dentro da nossa estrutura social, disse Beatriz.
Mobilizações estão sendo realizadas em todo o Brasil desde sábado e a luta contra os ataques reacionários não pode parar. Criança não é mãe, estuprador não é pai. Não ao PL 1904/24!



