24 de agosto de 2018

Seminário EPT: Maria Ciavatta defende o Ensino Médio Integrado no contexto de Golpe e Estado de Exceção

Confira o resumo da participação de Ciavatta no Seminário EPT do Sintietfal 

A Professora da Universidade Federal Fluminense e uma das principais especialistas em Ensino Médio Integrado, Maria Ciavatta, encerrou o Seminário de Educação Profissional e Tecnológica do Sintietfal fazendo uma reflexão sobre o Estado de exceção no Brasil e suas consequências para o trabalho e a educação.

Ciavatta caracterizou o Estado de exceção como o “desmonte do Estado de direitos da população”. Para a professora, a partir do Golpe parlamentar de 2016, “assistimos o desmonte progressivo e acelerado do Ensino Médio, da qualidade da Educação Profissional e dos direitos assegurados pelo Estado democrático”, disse.

A palestrante contextualizou a importância do Ensino Médio Integrado para a formação social e política dos indivíduos. “A formação integrada tem, historicamente, inspiração no conceito de politecnia da educação socialista, anunciada por Marx e introduzida nos vinte primeiros anos da Revolução Russa. Sua base teórica e política é a centralidade do trabalho-educação”, explica Ciavatta.

“Significa considerar o trabalho humano como atividade ontológica fundante da vida humana na sua relação com a natureza para produzir os meios e os modos de vida, a cultura, a educação, a consciência. Ao trabalhar o ser humano se educa, se forma, adquire conhecimentos, habilidades, comportamentos, valores”, completou a professora a partir do conceito marxista.

Ciavatta falou ainda sobre a regressão dos direitos trabalhistas e previdenciários terem antigas raízes no tecido social brasileiro, pois alimentam as relações de classe, a desigualdade social e a permanência de privilégios das elites do Brasil.

“Nós estamos vivendo uma recessão econômica planejada, para garantir o pagamento da dívida. Se o limite dos gastos for mantido, órgãos, estados e municípios, ficam impedidos, no exercício seguinte de reajustar salários, de contratar pessoal, de fazer concursos públicos e de criar novas despesas. A retirada dos direitos, a perda dos serviços essenciais, vai agravar a situação em progressivo empobrecimento da população”, descreve a professora.

Para ela, é necessário a organização da classe trabalhadora contra a reforma do Ensino Médio e a possibilidade de desmonte do modelo educacional da Rede Federal. “No Brasil, que escolas são melhores que os Institutos Federais e as Escolas de Aplicação? Agora, mais do que nunca, a gente tem que lutar com unhas e dentes para preservá-los. Os Institutos têm que ser defendidos”, conclamou a professora.

A palestra “Perspectivas para o Ensino Médio Integrado no Contexto do Estado de Exceção no Brasil” foi ministrada pela professora Maria Ciavatta, no dia 19 de maio, encerrando o I Seminário de Educação Profissional e Tecnológica do Sintietfal.

Assista a palestra da Professora Ciavatta na íntegra:

24 de agosto de 2018

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