22 de janeiro de 2018

Nota do Sintietfal sobre o julgamento do LULA

A crise econômica iniciada ainda em 2014 tem provocado nos últimos quatro anos uma crise social sem precedentes no Brasil. Além de profunda em razão da sua duração e intensidade, a crise em marcha produziu fraturas marcantes na já frágil democracia brasileira. A ruptura institucional representada pelo golpe de 2015, que depôs de forma ilegítima a Presidente Dilma, representou uma escalada conservadora das forças políticas representantes do grande capital atuante no Brasil.

Além do mais, vimos crescer a violência em nossa sociedade. Fechamos 2016, ano do golpe, com mais de 61 mil homicídios, um triste recorde na história desse registro. Nunca se matou tanto no Brasil. No campo em 2017, foram 65 assassinatos de lideranças, segunda a Comissão Pastoral da Terra, número menor apenas comparado com 2003, quando 73 vidas foram ceifadas.

Se não bastasse a estrutural desigualdade social típica do capitalismo periférico, com seus efeitos salientes na corriqueira parcialidade da Justiça a favor dos ricos, na corrupção secular que assola todas as instâncias do Estado a favor do poder econômico e numa cínica mídia comercial ideóloga do financismo, de 2015 em diante os trabalhadores têm se deparado com uma avalanche de medidas regressivas que apenas satisfazem o capital (“investidores”) em detrimento do que havia no país de bem-estar social e liberdades democráticas.

No entender do SINTIETFAL, a condenação do ex-Presidente Lula em primeira instância foi notoriamente política, produto de um julgamento mal-intencionado que só adquire aparência de legitimidade em razão da mídia conivente com a escalada conservadora. A rapidez com que Lula será julgado em 2ª instância é igualmente viciada. Um possível banimento dele das eleições de outubro seria, sem dúvida, mais uma expressão da intolerância política a qual o grande capital tem lançado sobre o Brasil, estando obstinado a moldar o país às exigências do “deus” mercado.

Ao mesmo tempo, o SINTIETFAL deixa claro que essa posição pública não se confunde com apoio à candidatura do ex-Presidente. Ao contrário, reitera o princípio da autonomia do sindicato diante do Estado, do capital e dos partidos políticos, o que exclui apoio a qualquer candidato em específico. Reafirma-se a defesa de uma plataforma política que seja claramente a favor dos interesses da classe trabalhadora, que não concilie com os inimigos da democracia e dos direitos sociais, em especial com a educação pública e estatal.

O SINTIETFAL continuará em 2018 engrossando as lutas unitárias em defesa da Previdência, dos direitos trabalhistas e sociais (educação e saúde) e dos meios necessários para os viabilizar, o que passa necessariamente por uma auditoria cidadã da dívida pública e por outras reformas estruturais que ponham o Estado brasileiro a serviço da maioria.

22 de janeiro de 2018

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