Solidariedade: Manifestação reúne centenas contra perseguição política no IFAL
Centenas de servidores e estudantes do IFAL, juntamente com representantes de entidades e movimentos sociais, prestaram sua solidariedade no ato contra a perseguição política a quatro servidores do IFAL, ameaçados de demissão por lutarem em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. A manifestação teve início às 9h da manhã na sede da Reitoria, situada no bairro da Jatiúca, em Maceió.
A mobilização é um ato de repúdio ao PAD que busca punir dirigentes do Sintietfal por estarem à frente da greve nacional da categoria em 2014. Durante a manifestação, houve palavras-de-ordem afirmando #LutarNãoÉCrime, batucada, panfletagem em todos os andares da Reitoria e com a população na rua e falas no carro-de-som carregadas de sentimento.
Para Fabiano Duarte, diretor de Formação de Política do Sintietfal, a manifestação foi uma importante demonstração de solidariedade contra a perseguição política no IFAL por parte dos servidores do instituto e dezenas de entidades de todo o Alagoas.
“O ato demonstrou uma profunda solidariedade de centenas de pessoas, extrapolando e muito os muros acadêmicos do IFAL. Trouxe à tona o espirito de união, deixando bem claro a rejeição a qualquer postura arbitrária dos gestores do instituto. A manifestação mostrou que os quatro companheiros que estão sendo acusados, injustamente, não estão sozinhos”, afirmou.
Em sua fala, Ederson Matsumoto, diretor municipal do Sintietfal em Marechal Deodoro, lembrou da luta contra o sucateamento da educação e dos ganhos da greve de 2014, que resultou na perseguição dos quatro líderes do movimento.
“Enquanto alguns preferiam ficar nos gabinetes em Brasília, nós, do Sintietfal, estávamos na rua, lutando, e é essa luta que está sendo criminalizada hoje. Você, professor, vai gostar no final do mês quando a última parcela do aumento cair na sua conta. Então, deve lembrar que ela foi conquistada na greve de 2014, que ela foi fruto de greve. Essa mesma greve que pode custar os empregos de Hugo, Gabriel, Wilson e Elizabete”, declarou.
O estudante do câmpus Satuba, José Luís Eduardo, presidente do Grêmio Estudantil Miguel Guedes (Câmpus Satuba/IFAL), esteve presente no ato com dezenas de estudantes e declarou que a luta dos docentes está entrelaçada com a do movimento estudantil.
“Os alunos vieram em massa para apoiar esses professores que estão sendo criminalizados, apenas por lutarem em prol da educação. Nós que conhecemos o cotidiano do Câmpus sabemos como é forte a repressão contra qualquer pessoa que se posicionar contrariamente à gestão. Nós temos orgulho de dizer que vamos lutar junto com esses servidores”, assegurou Eduardo.
Solidariedade externa
As manifestações de apoio aos servidores do IFAL, vindas de diversas partes do país, se materializaram neste ato, em frente à Reitoria do IFAL. Cerca de 30 sindicatos, centrais sindicais, partidos e movimentos sociais abraçaram à causa contra a perseguição política no IFAL.
Ana Vergne, presidenta da Adufal, chamou atenção para a defesa do movimento sindical e da greve como principal ferramenta para garantia de direitos. “Nós, da Adufal, somamos forças nesse ato para defender a educação e dizer que o servidor público em greve está na luta. Deixamos todo nosso apoio aos companheiros do Sintietfal que estão sofrendo perseguição política neste momento. Todo apoio da Adufal aos companheiros!”, disse Vergne.
Representando o Sinteal, Maria Consuelo Correia, reforçou o coro das entidades que gritaram a frase “Lutar não é crime”. “Esses companheiros que organizam a classe trabalhadora na difícil tarefa que é lutar por direitos negados, jamais teriam provocado tamanha barbaridade em sala de aula. Por isso, estamos aqui para deixar nosso apoio a esses lutadores”, destacou.
Estiveram presentes na manifestação as entidades sindicais: Sindicato dos Bancários, Adufal, Sintufal, Sinsuncisal, Sindpetro, Sinteal, Sindjus, CSP/Conlutas e CUT; os movimentos do campo: MST, MLST, CPT; as correntes sindicais: Unidade Classista e Luta de Classes; o grupo cultural Afrocaeté, o Grêmio Estudantil Miguel Guedes de Nogueira (Câmpus Satuba- IFAL), Conselho Regional de Serviço Social (CRESS), o Coletivo Feminista Ana Montenegro e o núcleo Alagoas Auditoria Cidadã da Dívida.
As organizações políticas, PCB, Unidade Popular, PSTU, MAIS, PSOL, Resistência Popular, Coletivo Ofensiva Socialista, UJS, UJC, UJR, Levante Popular da Juventude e Esquerda Marxista, também participaram do ato.


