Assembleia manifesta solidariedade a servidores e decide lutar contra perseguição
Os servidores do IFAL, reunidos em Assembleia Geral Extraordinária, decidiram que não aceitarão perseguições políticas no Instituto e que irão à luta em defesa dos colegas ameaçados de demissão por um PAD.
Realizada na tarde desta segunda-feira, 31 de julho, no auditório de Informática do câmpus Maceió, a AGE deliberou pela ampliação do abaixo-assinado, pela realização de caravanas aos câmpus, de seminários sobre assédio moral e até um ato público no próximo dia 10 de agosto.
As ações fazem parte da campanha #LutarNãoéCrime que visa a impedir que o presidente do Sintietfal, Hugo Brandão, o tesoureiro, Gabriel Magalhães, a diretora jurídica (licenciada), Elizabete Patriota, e o diretor de políticas associativas, Wilson Ceciliano, sejam demitidos por lutarem em defesa da educação pública.
Os presentes na Assembleia demonstraram grande solidariedade e asseguraram caminhar juntos na luta contra essa perseguição. Muitos, inclusive, viveram de perto os horrores praticados contra os servidores no ato de greve no dia 9 de junho de 2014, em Satuba.
O dirigente sindical Valdemir Chaves foi um dos presentes na manifestação que resultou no PAD. Ele mostrou-se indignado de como uma agressão contra os colegas se transformou num processo que pode custar o emprego destes.
“Essa indignação não é só minha. Todo mundo com quem tenho oportunidade de conversar está revoltado. Pessoas que nem trabalham no IFAL estão perguntando ‘que história é essa de os professores que sofreram aquelas agressões agora estarem respondendo por isso!? Isso é uma vergonha, isso é um absurdo!’. Todos nós temos que nos unir a essa corrente e nos solidarizar do ponto de vista político, porque do campo jurídico estão sendo tomadas as devidas providências”, afirmou o tesoureiro adjunto do sindicato.
O servidor Zilas Nogueira, do câmpus Marechal Deodoro, também manifestou apoio aos servidores. Para ele, o PAD é uma ação direta contra a organização dos trabalhadores e sua entidade sindical.
“Eu queria chamar a atenção de vocês para o fato de que os quatro são da direção do sindicato e isso quer dizer muita coisa. Tinha 60 pessoas lá e só quatro, todos da direção do sindicato atual, é que estão ameaçados de demissão. Isso é um atentado. Mesmo que você não concorde ou possa nem gostar deles, mas isso é um atentado ao nosso sindicato, ao nosso instrumento de luta e de defesa dos nossos direitos”, disse o servidor do câmpus Marechal Deodoro, referindo-se, como agravante, à conjunta de desarticulação das leis trabalhistas, de enfraquecimento das representações e de destruição dos serviços públicos.
Em longo depoimento emocionado, a servidora Elizabete Patriota classificou o processo como uma grande injustiça e que visa a calar os que lutam contra as arbitrariedades dentro do IFAL.
“Baseados numa mentira para justificar os interesses mais inconfessáveis , querem tirar o emprego de quatro pais e mães de família. Não é para outra coisa, é para que a gente sirva de exemplo e faça calar os demais. Isso é muito grave e não atinge só nós. Claro que nos atinge mais diretamente no primeiro momento, porque, se, no próximo mês, eu não tiver dinheiro para pagar o supermercado, quem vai passar fome, no primeiro momento, sou eu. Eu, minha filha e quem depende de mim. Mas isso atinge todos nós”, declarou a servidora Elisabete, ré no processo.
Por sua vez, a professora aposentada, Roseli Omena, bastante comovida pelo relato, fez questão de assegurar o apoio dos servidores inativos. “Lutem, se unam. Nós, aposentados, aqui viemos para essa unidade. Morram estrebuchando, mas não morram de joelhos. Quem faz a escola são vocês. Lutem, porque é essa nossa função enquanto educadores, mas não fraquejem. Lutem e apoiem uns aos outros, porque hoje é ela [Elizabete], mas amanhã são vocês”.
Encaminhamentos
A Assembleia Geral definiu pela realização de um ato público no dia 10 de agosto de 2017, quando está prevista a entrega da defesa dos quatro indiciados no PAD. A manifestação será realizada na Reitoria, a partir das 9 horas, e deve contar com a participação de servidores de diversos câmpus, de sindicatos e diversos movimentos sociais que já manifestaram seu repúdio à perseguição política.
A categoria definiu também de se empenhar pelo sucesso do abaixo-assinado que está passando entre os servidores, de maneira física, e virtualmente para toda a sociedade.
Para fortalecer o sucesso da campanha, será realizada, neste mês de agosto, uma caravana pelos câmpus do IFAL. Além de manifestar solidariedade aos servidores, com a distribuição de adesivos e panfletos, a caravana também abrirá um diálogo sobre assédio moral na Instituição.
Ampliando o debate sobre perseguições, ficou aprovado de o Sintietfal realizar seminários sobre assédio moral. O primeiro já está marcado para o câmpus Penedo no dia 8 de agosto, com a participação do palestrante convidado, o Juiz do Trabalho do TRT da 19a. Região/AL, Dr. Jasiel Ivo.
Por fim, a categoria entendeu também que o sindicato deve garantir apoio jurídico e financeiro aos servidores até o final do processo, pagando o vencimento básico caso seja concretizada a demissão.


