Tarde de debates promove reflexão sobre ensino médio em tempos de crise
O atual momento político do país, de ataques aos direitos e de reformas desestruturantes de setores estratégicos, tem gerado indignação social em toda população e motivado a classe trabalhadora e a juventude para lutar.
Como forma de refletir sobre a educação dentro desse contexto, os professores do Grupo Multidisciplinar de Estudos e Pesquisa em Educação (Gempe), do Ifal Maceió, e do Grupo de Estudos de Humanas do Brasil Contemporâneo (GEBH), do Ifal Penedo, realizaram um circulo de debates na última quarta-feira, 19 de julho, no auditório de Informática do Câmpus Maceió.
Essa é a segunda atividade realizada em conjunto pelos grupos. A primeira ocorreu no dia 5 de junho, em Penedo. Nas duas edições, os docentes do GEBH deram início ao debate com tema “A Educação em tempos de crise: Lei da Mordaça nas escolas” e os integrantes do Gempe facilitaram o diálogo sobre “O lugar das Humanidades na escola de ensino médio”.
O evento realizado em Maceió contou com uma grande quantidade de estudantes do ensino médio, que lotaram o auditório para refletir sobre a lei da mordaça e a reforma do ensino médio.
Os professores Joallan Cardim, Márcio Abreu, Gisele Oliveira e Marcelo Gomes, representantes do GEBH, apresentaram o primeiro tema e deixaram clara a mensagem que o projeto “Escola Sem Partido” quer silenciar o debate de ideias dentro das escolas e instituir uma educação sem reflexão.
“Esse projeto tem um caráter ideológico, que integra um projeto de sociedade totalitária. Busca esconder os conflitos e não é assim que se faz ciência e nem produz conhecimento”, disse o professor Marcelo Gomes.
Por sua vez, a professora Gisele Correia, de forma clara, condenou a lei que quer proibir que estudantes tenham contato com o conhecimento que entre em conflito com pré-estabelecidos ou familiares.
“A escola não pode ser um prolongamento da casa. Tem que ser um pensamento diferente para que você desenvolva seus próprios pensamentos críticos. Se fosse todo mundo repetindo o mesmo pensamento, ainda estaríamos no tempo da escravidão. E o que essa lei da mordaça que fazer é impor uma forma única de pensar, é uma lei castradora”, afirmou a professora do câmpus Penedo.
Na segunda mesa, tomaram assento as professoras Ana Luíza, Vânia Omena, Nadja Rocha, Thiago Rosário e Gabriel Magalhães. Os docentes da área de história, filosofia, sociologia e letras espanhol falaram sobre os impactos da reforma do ensino médio.
A professora de história, Ana Luiza, afirmou: “fomos atropelados por uma reforma do ensino médio que acaba com o direito à educação. Não podemos pensar em fazer apenas a defesa de uma disciplina, mas pensar num projeto de educação como um todo. Desde a redemocratização da sociedade brasileira, temos tentado trazer para a escola um modelo democrático e foi empurrada de moeda adicionar um modelo excludente. Essa Reforma é uma releitura de processos de passado, que propõe uma separação de uma educação básica dos itinerários formativos. Uma luta que já tínhamos avançado no IFAL com a retomada da educação integrada”.
O professor Tiago Rosário defendeu a importância das humanas para a formação do estudante e a sua forma de refletir sobre o mundo. “Não é uma crise da filosofia, da história e da sociologia, é uma crise da escola atual está sedimentada numa sociedade de classes. Sabem que essas disciplinas geram incômodo e tiram o estudante do conforto. Precisamos delas para sacudir essas certezas e provocar a reflexão. Para que os estudantes construam sua própria reflexão, com autonomia”, assegurou o professor de filosofia.
Para o professor de sociologia, Gabriel Magalhães, esses debates são importantes para pensar no projeto de educação e de sociedade que faça contraponto ao projeto das elites. “Temos que pensar em projetos grandes, que possam fazer frente aos projetos da classe dominante. Além da PEC do Teto dos Gastos, temos uma Reforma do Ensino Médio que vem destruir um ideário de uma educação integrada. Que institui uma educação voltada para as classes subalternas, onde haverá uma formação aligeirada, e outra para as classes ricas, que terá uma formação completa, inclusive com as humanidades. Temos que pensar grande para ter uma alternativa de país”, defendeu.


