Greve Geral paralisa Alagoas e reúne 30 mil pessoas em marcha histórica
Alagoas parou no dia 28 de abril, na maior greve geral já realizada no Brasil. Bancários, rodoviários, professores, trabalhadores rurais, servidores públicos, metalúrgicos, petroleiros, vigilantes, policiais, e muitas outras categorias, entre elas, os servidores do IFAL, paralisaram suas atividades e ocuparam as ruas em protesto contra as reformas da previdência e trabalhista do governo Temer.
Após as atividades da greve, realizadas pela manhã, cerca de 30 mil manifestantes se concentraram na Praça Centenário, no bairro do Farol, e realizaram uma marcha histórica em direção à Praça dos Martírios, Centro de Maceió.
Palavras de ordem, cartazes, faixas e diversas falas denunciaram os nomes dos deputados alagoanos que votaram a favor da Reforma Trabalhista e exigiram o imediato fim desse governo e congresso corruptos, que querem aprovar medidas que retiram direitos da classe trabalhadora.
“O número de trabalhadores na marcha é um grande não aos absurdos desse governo golpista. Foram mais de 30 mil pessoas que não trabalharam e saíram pelas ruas exclamando que não aceitamos de forma alguma as reformas. Fizemos barulho e juntos podemos fazer muito mais para derrotar esses governantes corruptos que anseiam acabar com os nossos direitos”, afirmou, Hugo Brandão, presidente do Sintietfal.
O diretor municipal do Sintietfal em Marechal Deodoro, Ederson Matsumoto, chamou atenção para a presença maciça da juventude e de trabalhadores na caminhada.

“Estamos dizendo não a essas reformas nefastas e que estão usurpando os direitos dos trabalhadores. Por mais que a grande mídia tente esconder e criminalizar o movimento, esse é uma greve legítima. Ela não é a primeira e não será a última. Vamos nos manter mobilizados até que essas reformas e esse governo caiam”, defendeu Matsumoto.
A estudante Marcela Almeida, de 15 anos, destacou a importância da greve geral para a construção de um país mais justo. “Não podemos assistir pela janela de casa a nossa vida ser destruída, precisamos ocupar as ruas, salas de aula, ir até o congresso e lutarmos pelos nossos direitos. Somos jovens, o futuro político deste país um dia estará em nossas mãos”, disse.
Aposentados e religiosos também participaram do protesto. A Polícia Militar acompanhou os manifestantes por todo o trajeto, mas não houveram confrontos.
Paralisação

Durante a manhã, os docentes e Técnicos Administrativos em Educação (TAEs) do IFAL paralisaram suas atividades e se concentraram na porta do câmpus Maceió em adesão à greve geral contra as medidas de Temer.
Presente no ato, a diretora de comunicação do Sintietfal, Marília Souto, parabenizou a categoria pelo forte engajamento. “A categoria aderiu ao chamado do sindicato. Conseguimos paralisar as atividades para lutar juntos contra todas as reformas que vem atacando todos os trabalhadores brasileiros e, em especial, os servidores públicos. Vamos continuar na luta, essa reformas não passarão!”, exclamou.
A atividade também contou com a presença de estudantes. Para a jovem Ana Letícia, é necessário que os estudantes apoiem à greve geral em defesa da aposentadoria.
“Estamos na luta, mais uma vez, assim como a gente esteve contra a PEC 241 (EC 95), contra a reforma do ensino médio e a reforma trabalhista. A gente já está sendo afetados pelo corte de verbas na educação e não aceitamos a reforma da previdência que esse governo golpista está querendo passar. Por isso, estamos aqui em apoio à greve geral”, afirmou a estudante do câmpus Maceió.
Interior

O Sintietfal também esteve presente em mobilizações no interior do estado. Em Arapiraca, participou da manifestação que saiu Praça Luiz Pereira Lima e seguiu pelas principais ruas do centro até a Praça Manoel André, local considerado historicamente como o Marco Zero, onde foi a fundação da cidade.
19 entidades, entre sindicatos e movimentos sociais, participaram da manifestação. As lojas do comércio foram fechadas durante a manhã em apoio à greve geral.
Em Piranhas, o Sintietfal participou do bloqueio da BR 101 que liga Alagoas à Sergipe, entre os municípios de Piranhas e Canindé do São Francisco. A manifestação teve participação de cerca de 1000 trabalhadores da cidade e do campo dos dois estados.
Em vídeo, o professor de geografia do IFAL e diretor do sindicato, Claudemir Martins, gravou o momento da mística de encerramento da manifestação que durou toda a manhã.

Além de diversos atos em cidades como Canapi, Theotônio Vilela, Palmeira dos Índios, os trabalhadores sem-terra bloquearam rodovias nos municípios de Satuba, Flexeiras, Delmiro Gouveia, Murici, Arapiraca, Teotônio Vilela, Campo Alegre, União dos Palmares, São Luiz do Quitunde e Novo Lino.


