Servidores aprovam paralisação dia 15 de março e indicam boicote ao Ponto Eletrônico
Os servidores do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) aprovaram aderir à Paralisação Nacional contra a Reforma da Previdência, dia 15 de março, e indicaram o boicote ao Ponto Eletrônico imposto pela Reitoria. A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), realizada na sede do Sintietfal, nesta sexta-feira, 10 de março.
A decisão da categoria é realizar uma rodada de assembleias municipais do dia 13 ao dia 30 de março e aprovar, em cada uma delas, o boicote unificado ao atual mecanismo de controle a partir do dia 31. Até lá, os servidores não devem registrar frequência no dia 15, reforçando a paralisação nacional, e no próprio dia 31, quando haverá uma nova Assembleia Geral para ratificar a decisão.
No entendimento dos servidores, o ponto eletrônico representa retrocesso no método de controle de assiduidade. “A gente não é contra os mecanismos de controle, queremos que os maus servidores sejam punidos e que quem não trabalhe, trabalhe. Entretanto, o ponto eletrônico não representa nenhuma melhoria, pelo contrário, ele não leva em conta as particularidades dos câmpus, a dificuldade enfrentada pelos servidores devido a estrutura precária. Ele não se adequa à educação”, afirmou com o presidente do Sintietfal, Hugo Brandão.
Os servidores do câmpus Arapiraca já tinham definido o boicote ao mecanismo, pelo menos, até a próxima quarta-feira, quando haverá uma nova assembleia para reavaliar. Representando os servidores que já boicotam o PE, o professor Rodrigo Abrahão mostrou-se inconformado com a existência de tal mecanismo na educação.
"Não concebo uma instituição de educação que fique contando as horas, mais parece um modelo Fordista de montagem. O ponto eletrônico foi implantado de maneira autoritária e não podemos aceita-lo. Temos que fazer as assembleias e construir esse boicote", afirmou Abrahão.
Para o dirigente sindical Ederson Matsumoto, os servidores devem ser contrários a decisão da reitoria e reivindicar outras formas de controle de ponto. O problema está na fiscalização do chefe imediato. “O computador não moraliza o homem. A culpa não era da coitada da folha de papel e sim do gestor que não fiscaliza. Porque a chefia que homologava a folha de papel do servidor que assinava tudo no começo do mês ou tudo no final vai fazer o mesmo com as ocorrências eletrônicas”, disse Matsumoto.
A assembleia geral, além de aprovar a ação de boicote, definiu também que os servidores organizem dossiês com os problemas e as limitações enfrentadas cotidianamente com a utilização do novo modelo de registro de assiduidade. Que registrem quando o sistema tiver inoperante, contabilizem todas as horas em atividades, principalmente de pesquisa e extensão e busquem o sindicato para ir à justiça pedindo pagamento de hora-extra.
Paralisação dia 15 de março
Para lutar contra a Reforma da Previdência do Governo Temer, a assembleia geral deliberou adesão à paralisação nacional do dia 15 de março. De acordo com a decisão, todos os servidores do IFAL devem se unir às manifestações de rua que acontecerão em Maceió, na Praça dos Martírios, a partir das 10 horas; em Arapiraca, na praça Luiz Pereira Lima, a partir das 9 horas; e em outras cidades de Alagoas.
Para o tesoureiro do Sintietfal, Gabriel Magalhães, o 15 de março será o termômetro do governo para frear ou acelerar a proposta no Congresso Nacional. “Devemos chamar nossos companheiros e irmos para as ruas lutar contra esse ataque à aposentadoria e ao direito do trabalhador. Esse é uma pauta que mobiliza a todos e precisamos reagir rapidamente”, afirmou Magalhães.
O Sintietfal está participando do Fórum Alagoano em Defesa da Previdência Pública e, na assembleia, distribuiu materiais, como panfletos e cartazes, para ajudar na mobilização da categoria.
Conselho fiscal
O Sintietfal elegeu, durante a Assembleia Geral, membros para o Conselho Fiscal da entidade. Thiago Bianchetti (Marechal Deodoro), Anna Júlia (Murici), Roberval (Satuba) e Arthur Barbosa (Piranhas) foram os nomes aprovados pela assembleia.
Os quatro integrantes do conselho devem se reunir e na primeira reunião definir entre seus membros, quais serão os três titulares e qual será o membro suplente. Todos foram eleitos individualmente, após demonstrarem interesse em contribuir com a tarefa.
“Coloquei meu nome para colaborar com o sindicato na perspectiva de uma gestão, democrática, participativa e com controle social”, afirmou a psicóloga do câmpus Murici, Anna Julia Giurizatto.
O professor do câmpus Satuba, Roberval, salientou a importância do conselho fiscal antes de ser eleito. “É importantíssimo essa instituição no sindicato porque a gente trabalha com o recurso da categoria e precisa ter toda a transparência possível. É importante apoiar essa nova gestão e acompanhar suas finanças”, disse o servidor.
Moções
A assembleia aprovou ainda duas moções: a primeira em solidariedade aos trabalhadores do Colégio D. Pedro II contra a tentativa de criminalização das lutas da categoria pelo Ministério Público Federal (MPF) e a segunda em repúdio ao Reitor por questionar a legitimidade do Sintietfal. Em breve, essas moções serão divulgadas.


