30 de março de 2017

IFAL: Reforma no Câmpus Maceió coloca servidores em risco

Barulho de furadeira, quebra-quebra, ruídos, calor e poeira.  Salas com divisórias e espaços improvisados. Essa é a nova realidade dos servidores lotados no bloco administrativo do câmpus Maceió. Isso porque, há cerca de uma semana, iniciou a reforma do auditório e de salas no bloco, que alterou completamente a rotina de trabalho dos servidores.

 

Devido à obra, o setor de protocolo e arquivo foi um dos que tiveram de ser remanejados. A coordenadora da seção foi informada que eles permanecerão trabalhando, por dois meses, no ambiente improvisado. “Sábado fizemos a mudança e segunda-feira começamos a trabalhar aqui”, afirmou a servidora Nadja da Silveira.

 

Nessa sala, foi instalado, por insistência da servidora, apenas um ventilador. O ar condicionado existe, mas não funciona. Ao lado de sua mesa de trabalho, pedreiros derrubam paredes, mexem com cimento, ligam máquinas e fazem fogo.

 

 

“Tá horrível, os documentos estão todos sujos de poeira e o barulho é demais. Não podemos fechar a janela e ainda assim ficamos com calor, que a roupa cola no corpo. Eu acho que, se era para a gente mudar, deveria oferecer uma estrutura melhor”, reclamou a servidora, que, mesmo passando por tudo isso, tem em mente a importância de seu trabalho para a Instituição, ao dizer que “o protocolo não pode fechar”.

 

Nas salas ao lado, o drama se repete. O servidor Carlos Borges, da coordenação de licitação, relata que tem medo de o teto de sua sala cair. “Quando entrei em 2013, esse teto da sala já tinha caído. Nessa época não tinha obra em cima. Agora, com esse barulho de marteladas e barras de ferro caindo, nós ficamos assustados de ele voltar a cair”, disse Borges.

 

 

Para ele, essa obra é um risco para a integridade física dos servidores e do público atendido. “Não tem isolamento entre os servidores e a obra. Os operários estão todos de capacetes e luvas. Nós estamos dentro do canteiro de obras, sem nenhuma proteção. Todos os dias sofremos com a poeira e o barulho. Tem servidores que já ficaram doentes”, completou.

 

Além do problema com a poeira, areia, cimento e do constante barulho, os servidores reclamam que não conseguem sequer fechar as janelas e ligar o condicionador de ar para amenizar os impactos da reforma. “Os ar-condicionados não funcionam por conta da sobrecarga de energia causada pelos equipamentos usados na obra e, por isso, as janelas têm que ficar abertas. Só que ninguém consegue se concentrar com esse barulho e essa poeira, é impossível”, declarou outra servidora que preferiu não se identificar.

 

A obra no Câmpus Maceió foi licitada em 2016 sob responsabilidade da Diretoria de Infraestrutura e Expansão da Pró-Reitoria de Desenvolvimento Institucional. Segundo informações levantadas no bloco administrativo, a fiscal da obra informou que não há estudos de impactos no dia-a-dia dos servidores.

 

Cobrança

 

O Sintietfal, assim que tomou conhecimento do caso, enviou ofício à Diretora do Câmpus Maceió, questionando a viabilidade técnica acerca da execução da obra com a permanência dos servidores no local de trabalho e pedindo providências quanto aos ambientes laborais.

 

O documento qualifica a situação dos servidores como insalubre, “a partir de ruídos intermitentes e de impacto, bem como a grande quantidade de poeira mineral nos ambientes de trabalho”. Questiona também a situação mais agravada de servidores que apresentem intolerância ou quadro alérgico à poeira de obras.

 

"Esperamos que os gestores tenham responsabilidade com a saúde dos servidores e do público em geral que é atendido em meio àquela obra. Achamos mais prudente a transferência dos servidores para um local de trabalho adequado", defendeu a vice-presidenta do Sintietfal, Silvia Regina.

30 de março de 2017

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