Assembleia define ações contra o Ponto Eletrônico e em defesa das 30hs
Os servidores do Instituto Federal de Alagoas estiveram reunidos em Assembleia Geral Extraordinária na tarde desta segunda-feira, 06, para discutir a atual conjuntura política e os seus reflexos na implementação do ponto eletrônico, na flexibilização de 30 horas na jornada de trabalho, além de discutir uma proposta de negociação de reposição de greve a ser apresentada à reitoria.
A plenária que ocorreu na sede do Sintietfal no bairro do Centro de Maceió alertou e discutiu sobre os problemas estruturais, além dos riscos que cerca o futuro dos servidores diante da atual conjuntura política e os insistentes ataques da reitoria, uma vez que ela, em uma atitude arbitrária, assinou no último dia 1º de fevereiro portarias que retrocedem vários direitos das categorias.
Ponto eletrônico
O ponto eletrônico é rejeitado pelos servidores, uma vez que ele engessará principalmente os docentes que além da sala de aula desenvolvem pesquisa e extensão na dupla jornada entre o pincel e sua formação.
Segundo o professor Ederson Matsumoto, seria uma falácia afirmar que o professor apenas desenvolve as atividades em sala de aula. “O professor não trabalha só com o pincel na mão. Dizer que ele só trabalha três dias por semana não é verdade, pois levamos o trabalho para nossa casa, temos que elaborar aulas, provas e afirmar que apenas ficamos fadados à sala de aula, no entanto, não condiz com a verdade”, assegurou.
O diretor Gabriel Magalhães chegou a alertar para as eminentes possibilidades de retrocessos aos servidores e que o reitor teria tomado uma decisão unilateral diante da implementação do ponto eletrônico, o que tem gerado grande insatisfação dos servidores do Campus Satuba, onde leciona.
De acordo com o professor Fabiano Duarte, o ponto eletrônico está diretamente ligado com a jornada de 30 horas semanais.
A professora Elaine Lima explicou que o encaminhamento de judicialização do ponto eletrônico se faz com base no requerimento administrativo protocolado pelo sindicato na reitoria do IFAL no ano passado. “Então o Sintietfal vai entrar na justiça questionando o método de implementação desse ponto, quais são suas questões fundamentais?”, questionou.
Ela chegou a chamar a atenção, ainda, de que é impossível a implementação do ponto frente à expansão do Instituto Federal e a falta de estrutura necessária, como a problemática da falta de computadores e internet que garanta principalmente a sua existência. O questionamento judicial ao ponto eletrônico será efeito sem prejuízo da ação política da categoria, que deve se materializar através de denúncia das condições infra-estruturais e mesmo da inaplicabilidade do PE para a natureza do cargo docente.
Segundo o Presidente do Sintietfal, Hugo Brandão, "os TAE's lutaram bravamente e adiaram o PE por dois anos. Havendo a adesão maciça dos professores ao rechaço ao PE certamente conseguiremos derrotá-lo. A categoria precisa se mobilizar o quanto antes, pois é da ação política que provém das vitórias desejadas".
30 horas
A assembleia definiu ainda que o sindicato irá fortalecer a luta da CIS na solicitação de esclarecimento ao reitor sobre quais foram os critérios utilizados pela comissão reitoral que fez o estudo sobre a jornada de trabalho de 30 horas. O volumoso e fundamentado estudo produzido pela CIS foi absolutamente desconsiderado pela Reitoria, afirmou a professora Elaine Lima.
“Essa portaria que saiu agora do reitor, retirando boa parte desses direitos das flexibilizações das 30 horas saiu sem que fosse apresentado aos servidores um estudo que justificasse essa nova portaria. Então a CIS vai pedir esclarecimentos e vai pedir ainda que esse estudo seja divulgado, iniciativa da qual esta assembleia respalda”, destacou Lima.
Negociação da reposição de greve
Outro ponto de pauta que foi discutido com os servidores docentes e administrativos do IF em Alagoas foi a proposta de negociação com o Reitor Sérgio Teixeira para discutir a reposição de greve, em reunião que ocorrerá na próxima sexta-feira (10).
De acordo Elaine Lima, o reitor já havia acenado em uma das últimas reuniões com a categoria, após a greve realizada em 2016, que iria defender uma reposição por horas, diferente do que o Sindicato defende que seria reposição por trabalho.


