Sintietfal e Reitoria negociam retorno ao trabalho após a greve no IFAL
O Sintietfal e o comando de greve (agora comando de mobilização) estiveram na tarde desta segunda-feira, 19 de dezembro, reunidos com o Reitor do IFAL e sua equipe para debater o retorno dos servidores às suas atividades laborais após o movimento grevista, encerrado no dia anterior.
A reunião foi uma deliberação da Assembleia Geral Extraordinária do Sintietfal realizada no dia 14 de dezembro, a qual pontuou a necessidade de debater a reposição das atividades docentes e administrativas sem o corte de ponto, a construção coletiva e democrática dos calendários acadêmicos nos câmpus, defesa da CIS enquanto foro adequado sobre as 30 horas e a defesa das disciplinas de filosofia e sociologia, escanteadas pelo MEC na Reforma do Ensino Médio.
“A reunião foi importante para reforçar o compromisso do Reitor em não penalizar com o corte de ponto os servidores que fizeram luta nesse último período, mas também serviu para nos deixar atentos para suas próximas ações. O Reitor vai levar adiante a nova comissão para revisar a flexibilização do IFAL e os servidores precisam continuar mobilizados para impedir qualquer retrocesso no nosso direito às 30h”, afirmou Francine Lopes, representante do comando de mobilização.
Reposição
A Reitoria do IFAL se comprometeu que não haverá corte de salário dos servidores que realizaram greve contra a PEC 55 e que publicaria uma normativa orientando os diretores a construírem democraticamente os calendários acadêmicos junto com estudantes e servidores. Por sua vez, a representação da categoria presente na reunião se comprometeu a repor o trabalho acumulado no período dos 38 dias que durou ao movimento paredista.
Para o tesoureiro do Sintietfal, Gabriel Magalhães, o ponto problemático foi o Reitor afirmar que pode cobrar a reposição de horas ao invés da reposição de trabalho e que estaria esperando uma posição do CONIF para publicar uma normativa.
“Deixamos claro que reposição de horas é uma prática antissindical e punitiva e que o sindicato é veementemente contra. Cobramos que ele tome partido da reposição de trabalho junto ao CONIF ao invés de ficar aguardando uma posição majoritária no mesmo. Em momentos políticos tortuosos como os atuais, a omissão na disputa política em defesa dos servidores e do serviço público é nefasta”, defendeu Magalhães com base no que foi acordado nas greves anteriores.
30 horas
Questionado sobre a formação da comissão para revisar o estudo já realizado pela CIS sobre a flexibilização da jornada dos TAEs no IFAL, o Reitor apresentou como justificativa o ofício da antiga CGU enviado, de maneira genérica, para todas as Instituições Federais pedindo um estudo sobre o tema.
Por decidir, criar uma comissão paralela à CIS, ao invés de enviar o estudo já elaborado pela comissão competente, escutou as críticas dos representantes da categoria. “ O assessor executivo da Reitoria, Maurício Pinto, afirmou que há pressões externas e haverá uma auditoria da antiga CGU em janeiro e eles estão preocupados. Entretanto, o documento que chegou do Ministério da Transparência é genérico, estendido a todos os IF's e Universidades a respeito das 30 horas e possíveis falhas na sua aplicação. Dissemos que essa medida do Reitor esvazia a função da CIS ao invés de reforçá-la e que iremos fazer essa denúncia”, afirmou a diretora do Sintietfal, Elaine Lima.
Filosofia e sociologia
O Sintietfal e o comando de mobilização conquistaram o compromisso da Reitoria posicionar publicamente favorável à manutenção das disciplinas de sociologia e filosofia nas grades curriculares do Ensino Médio Integrado, a exemplo do Instituto Federal do Piauí que aprovou essa matéria no Conselho Superior após a proposta de Reforma do Ensino Médio.
“Para a categoria esse posicionamento é extremamente relevante do ponto de vista político, pois demarca a posição política de uma instituição de relevo como é o IFAL no âmbito de um debate candente na sociedade atual. Mais uma vez a omissão e o silêncio apenas contribui com o avanço de perspectivas conservadoras e obscurantistas. A posição da Reitoria é portanto, de suma importância”, concluiu Gabriel Magalhães.


