Etapa preparatória ao II ENE é realizada em Alagoas
O Sintietfal, em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores da UFAL e Associação dos Docentes da UFAL, realizou na última sexta-feira, 10 de junho, no auditório de informática do câmpus Maceió, a etapa estadual preparatória ao II Encontro Nacional de Educação.
Com o tema Projeto classista e democrático de educação , o debate contou com a participação de Fabiano Duarte, pelo Sintietfal, Carlos Eduardo Miller, pela Adufal, Davi Menezes, pelo Sintufal, Analice Dantas, pelo Conselho Regional de Serviço Social de Alagoas, e de Gabriel Santos, pelo Diretório Centro dos Estudantes da UFAL.
Para o diretor do Sintietfal, Gabriel Magalhães, a atividade foi importante para fortalecer em Alagoas um campo de luta em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade. “O ENE está servindo para unir lutadores em todo o Brasil por um projeto da classe trabalhadora para a educação e para a sociedade em geral”, afirmou Magalhães.
Davi Menezes, coordenador geral do Sintufal, reforçou a defesa do ENE como opção para pautar a agenda dos sindicatos e movimentos sociais diante da crise política. “O Encontro Nacional de Educação tem que servir para unir a esquerda. Mas, não podemos fazer isso de forma acrítica, deixando de lado nossas reivindicações. Nesse novo cenário, o Encontro Nacional de Educação tem que ser estratégico para derrotar o governo temer, mas sem repetir a política educacional do governo petista. É preciso forjar uma alternativa dos trabalhadores que represente uma alternativa educacional dos trabalhadores”, defendeu Menezes.
O diretor de formação política do Sintietfal, Fabiano Duarte, ao criticar o projeto de educação existente no país, explicou didaticamente como a mudança de uma simples palavra no lema do MEC pode mudar o conteúdo ideológico de uma campanha.
“Há uns anos, a UNESCO lançou a campanha “educação para todos”. A burguesia liberal no Brasil inverteu esse lema e a campanha do MEC se chamou “todos pela educação”. Isso põe a responsabilidade da educação nos indivíduos e não no Estado”, afirmou o diretor do Sintiefal chamando os servidores para a reflexão.
“Temos que combater esse discurso hegemônico que a culpa da situação da educação é da má gestão, dos professores e dos indivíduos como um todo. Isso se torna argumento para a privatização, colocando o setor privado como capaz de salvar a educação”, explicou Fabiano Duarte.
O representante da Adufal, professor Carlos Miller, contextualizou o termo classista no conceito de Marx e, repetindo as palavras de Dermeval Saviani, “a educação é determinada e não determinante”, explicou que a política educacional é definida sempre pela classe dominante. Para ele, só se organizando em sindicatos e partidos políticos é possível a mudança da sociedade e da educação.
“A classe que está no poder determina a educação e que nossa preocupação, em última análise, para transformar a educação é transformar a sociedade, é conquistar o poder. Isso não quer dizer só conquistar a presidência, mas, de fato, o poder na sociedade”, assegurou Miller.
Reforçando que a educação atualmente serve ao projeto de sociedade das classes abastadas, o representante do DCE-UFAL, Gabriel Santos, disse: “hoje temos uma educação classista, das classes dominantes, dos latifundiários, daqueles que impõe sua ideologia na educação. E isso se reflete quando vemos as casas legislativas aprovando leis contrárias ao debate de gênero nas escolas, atacando os direitos das mulheres e dos lgbt”.
Esse projeto de educação democrático da classe trabalhadora também tem sido construído por outras categorias, como a dos assistentes sociais. Analice Dantas, pró-reitora de assistência estudantil da UFAL e presidente do Cress, defendeu um projeto de educação diferente dos construídos pelos últimos governos, “um projeto de educação verdadeiramente emancipatória, não submisso aos interesses do grande capital”.
Para ela, leis como o marco regulatório da ciência, tecnologia e inovação, sancionado em janeiro por Dilma Roussef, são retrocessos que interfere nas instituições educacionais. “Devemos estar muito atentos aos diversos ataques, o marco regulatório da ciência retrocede no quesito da autonomia das universidade e institutos. Defendemos que as pesquisas produzidas não estejam subordinadas ao mercado, mas às necessidades da classe trabalhadora”, afirmou Analice.


