27 de junho de 2016

Assembleia Geral define boicote e luta contra o ponto eletrônico

Os servidores do IFAL, reunidos em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada pelo Sintietfal, aprovaram paralisar os seus locais de trabalho e realizar um grande ato na Reitoria, no dia 4 de julho, contra o ajuste fiscal e os retrocessos em direitos, representados, neste momento no IFAL, pela implantação do ponto eletrônico e pela ameaça às 30 horas.

 

A AGE realizada na manhã desta segunda-feira, 27 de junho, no auditório de informática, definiu também boicotar, a partir de 1º de julho, esse mecanismo de controle imposto pela Reitoria a todos os Técnicos Administrativos em Educação, e realizar assembleias municipais para fortalecer a decisão de continuar apenas com o registro manual de assiduidade.

 

 

A diretora de comunicação do Sintietfal, Mayara Esteves, afirmou que esse mecanismo de controle pretende ser o prelúdio da perda de outro direito, o da flexibilização da jornada de trabalho. “Sabemos que o governo quer precarizar ainda mais os serviços públicos, não realizar mais concursos, terceirizar mão de obra e acabar com as 30 horas para os TAEs. Para isso, precisa do ponto eletrônico como aliado. Entretanto, nós estamos aqui para lutar e impedir esses retrocessos”, completou Mayara.

 

O diretor municipal do Sintietfal em Murici, Yuri Deleon, comunicou que, desde o dia 21 de julho, os servidores daquele câmpus boicotam o ponto eletrônico por ser nocivo à educação pública. “Temos que entender o ponto eletrônico parte de uma política neoliberal que estamos vivendo e que quer trazer o modelo de administração privada para dentro do serviço público. Temos que fortalecer a luta já iniciada em Murici, aprovando o boicote em todo o IFAL, e fazer uma rodada de assembleias municipais para referendar essa luta”, afirmou Deleon.

 

Com o ponto eletrônico ainda está em fase de testes e a própria Reitoria admitindo o ponto manual até o final de julho, a assembleia entendeu este momento como propício para a realização dessa luta e aprovou que os servidores continuem trabalhando normalmente e assinando apenas o ponto físico, fortalecendo a ação já iniciada pelos servidores em Murici.

 

 

Ponto não é adequado à realidade do IFAL

 

Outros servidores presentes demonstraram que esse tipo de controle de frequência não se aplica ao IFAL e faltam até condições para ele acontecer. “Nós começamos a fase de testes e já percebemos que ele tem muitas limitações. É bom que todo mundo entre e perceba que esse ponto não é adequado as nossas demandas. Ele não foi feito para a gente, ele não atende nossas necessidades”, disse a servidora Marília Souto, representante da Comissão Interna de Supervisão.

 

 

Marília demonstrou como os problemas do IFAL implicam dificuldades para realizar esse tipo de registro: “tem câmpus que não tem internet sequer para trabalhar, então como é que vai ficar o ponto? Em outros, falta computador para os servidores que vão precisar dividir uma mesma máquina. Há servidores ainda que precisam viajar muito e não terão como bater ponto, terão que justificar sem nem poderem registrar hora extra. Até que a Reitoria resolva o problema de estrutura e internet esse ponto não tem a mínima condição de se aplicar”.

 

Conjuntura de ataques e retrocessos

 

Hugo Brandão, presidente do Sintietfal, afirmou que esse ataque faz parte de um contexto de retrocessos, principalmente para o serviço público e para os direitos dos trabalhadores. “Quem está aqui achando que só estamos lutando contra o ponto eletrônico está enganado. Estamos lutando contra a crise do capitalismo que está sendo jogada em nossas costas por um governo ilegítimo. Essa luta é parte da luta contra o ajuste fiscal”.

 

 

A diretora jurídica do sindicato, Elizabete Patriota, demonstrou que quando se ataca o servidor público, atacam-se também os direitos de todos os trabalhadores. “A sociedade entende que sem servidor público não há serviço público e que o governo elegeu este como bode expiatório da crise que vive o país. Essa luta é em defesa do serviço público federal, para que ele funcione com qualidade”, defendeu Elizabete.

 

Outros encaminhamentos

 

A Assembleia Geral debateu ainda sobre a 143ª Plena do SINASEFE, elegendo a servidora Elizabete Patriota como representante da base e referendando Hugo Brandão como membro da direção sindical para representar o Sintietfal no evento; aprovou moção de repúdio ao formato de eleição online sem a devida transparência realizada para a CPPD e o CEPE e defesa de eleições presenciais para o CONSUP; moção de apoio à criação dos conselhos de câmpus e de uma reestruturação na composição do CONSUP. As moções serão divulgadas em breve no site do Sintietfal.

 

27 de junho de 2016

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